Jul 21, 2008

Jul 19, 2008

É assim o Brasil?

A Lei Seca vem sendo exaltada pela população. Levantamentos indicam que houve uma queda de 57% nas fatalidades envolvendo álcool no trânsito de São Paulo, enquanto lugares como o Rio Grande do Sul apresentam números ainda menores. O espaço para questionamento da recém promulgada lei, no entanto, é nulo. O indivíduo que se opuser está errado e é um libertino ignorante, simples assim.

Ser contra a lei seca é ser a favor da morte, ao que parece. Colocar a Constituição em pauta, lembrando que a mesma invalida tal lei é tabu, e poucos parecem preocupados com o que a Constituição diz ou deixa de dizer, o importante é que sejam obtidos resultados imediatos, que emissoras divulguem dados e que algemas sejam vistas.

Essa postura firme e intransigente por parte da própria sociedade não se limita à Lei Seca. O descaso com a Constituição se evidencia no que atualmente já é chamada de Crise Institucional, envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal. O que está claro é que se opor traduz-se estar errado, pura e meramente.

Por que não se questiona a antiga lei e os motivos pelo qual a mesma não deu certo? Blitz e punição não existiam até dia 19/06/2008? Fiscalização também é novidade, então? Por que não se indaga o motivo de haver, até pouquíssimo tempo atrás três bafômetros na 4ª maior cidade do mundo?

Visa-se reeducar a população introduzindo legislação que extirpa dos cidadãos direitos com tanta luta obtidos, molestando a história e memória de um povo que se unia contra esse tipo de autoritarismo e idiotia, esquecendo-se e pior, vendendo a idéia de que é possível e correto omitir-se com relação à educação de base, como se a mesma fosse utopia. Lei não muda cultura. Não a introduz nem mesmo a rouba. O mesmo vale para educação. Motorista não começa a se educar no banco do carro, mas sim na cadeira da sala de aula - ou ao menos deveria.

Há uma tendência em argumentar que brasileiro só aprende na ‘marra’, justificando assim inconstitucionalidades e violações a liberdades que a própria Constituição nos garante. Na sociedade moderna cada vez mais ouvimos discursos e retórica sobre como para garantirmos o bem de todos, precisamos sacrificar certas liberdades, devolver direitos, violar princípios. A moral avaliada como certa nos é alimentada, e discuti-la tornou-se politicamente incorreto, sob pena de descrédito.

A cada momento o Brasil se transforma em um país onde os fins justificam os meios. Uma lei é promulgada e, mesmo ferindo a Constituição, é apoiada; Um ministro do STF tem sua reputação colocada em xeque ao recusar-se a bolinar a Constituição, mas ‘ricos’ estão sendo presos; Mais de quatrocentas mil pessoas (no ano de 2007 apenas, e incluindo desembargadores, atores e até ministros) estão sendo grampeadas – sem motivo claro para grande parte – mas a confiança no Estado é maior que qualquer agressão e, portanto, inabalável.

Enquanto a privacidade se torna luxo, a condescendência e omissão crescem. Ter dinheiro é ser corrupto, ‘indício’ e ‘clamor popular’ transformam-se termos chave para arquitetura e solução de casos, obtenção de grampos, prisões preventivas e temporárias e é assim o Brasil. O povo parece não ter interesse algum em mudar ou, ainda, discutir mudanças. O longo prazo é esquecido, o abismo social alargado e esparadrapos são distribuídos sem pudor, fantasiados de Projeto de Governo para serem colocados indiscriminadamente em cada artéria que começa a sangrar no país - com prazo válido para eleições.









Feb 25, 2008

Feb 24, 2008

Frase da semana

"É a maior geladeira que já vi na vida"



Presidente Lula, na Antártida

Feb 23, 2008

Sucata Nacional - Folha de São Paulo de 23/02/08

"SE TIVESSE que eleger um traço para distinguir os anos Lula, diria que eles têm sido marcados pelo rebaixamento da vida nacional. A começar pelo sucateamento da esperança, tudo de alguma forma se nivelou por baixo. É curiosa, aliás, a realização histórica do slogan da campanha petista: o desassombro com que se foi ao pote pelo menos até a descoberta do mensalão -e tenho dúvidas de que algo substantivo tenha mudado- basta para constatar que temor, neste governo, só do mercado.

'A esperança venceu o medo' funciona mais ou menos como o 'caçador de marajás', slogan de Collor que já prenunciava, para quem soubesse ler nas entrelinhas, o desmantelamento do Estado que seu governo iria levar a cabo.

Os ventos, porém, sopram a favor de Lula. Tudo melhorou - é o que mais se ouve por aí. Muito bem. Pergunto se a ladainha oficial não seria, antes, a expressão do cinismo dos vitoriosos e recém - convertidos diante das evidências de que não vamos mais nos tornar uma sociedade decente, como um dia essa turma já pretendeu.

Soa muito abstrato? Um tanto ingênuo? Tome-se, então, um só aspecto da vida nacional - as relações entre o poder e a imprensa. Aqui não se trata mais de nivelamento por baixo, mas de regressão.

Foi perguntado ao presidente nesta semana o que pensava das ações movidas por fiéis da Igreja Universal contra a Folha e a repórter Elvira Lobato. A resposta foi suficientemente vaga para desviar do ponto em questão (o recurso abusivo ao Judiciário, configurando um caso do que se entende por 'litigância de má-fé') e, ao mesmo tempo, clara o bastante para que não pairassem dúvidas: sob o blablablá em defesa da liberdade de expressão, Lula tratava de prestar sua solidariedade à máquina de intimidar jornalistas patrocinada pelos líderes da Universal. Fez isso por cálculo, obviamente, já que princípios não são o seu forte.

Quem sabe seja um avanço para alguém que já chegou a tomar providências a fim de banir do país um repórter do "New York Times" que havia escrito sobre seus hábitos etílicos. Uma porcaria de reportagem de Larry Rohter, vale lembrar, como se fosse esse o problema.

Apesar das tentações autoritárias deste governo e das intenções escusas dos neobucaneiros da fé, parece obviamente exagerado dizer que a liberdade de expressão corre risco no país. Não acredito nisso. Desconfio, da mesma forma, quando uma corporação ou um grupo social, mesmo se coberto de razão ou de boas intenções, pretende falar em nome do bem coletivo ou do interesse geral. Antigamente isso tinha nome: ideologia.

O que hoje se vê não sob ameaça, mas em avançado estágio de degradação, é a capacidade de expressão da mídia. Muito em função da rede de áulicos sustentada pelo petismo, mas também pela delinqüência de vozes da oposição."

Feb 15, 2008

Lula para Presidente Bernardes

Cartões corporativos, convite à um jornalista para ser ministro de Minas e Energia, apagão aéreo, máfia das ambulâncias, mensalão, bingos, correios e Banestado. Alguns dos atos, presentes no governo petista. Governo este, que governaria para "as massas" e faria em 4 anos, oque a "elite" governamental, não fez em 40.

Baseando-se nesse depoimento, uma de tantas pseudo-promessas, proferida pelo presidente Lula no ínicio de seu 1° mandato, entedemos então que, o governo faria esforços e tomaria atitudes em favor da, "massa". A mesma que contribui, mesmo que em menor valor, para o caixa da união. Teve seu dinheiro repassado à bandeira de cartões de crédito, usados pelos nossos ilustres governantes, para despesas realmente necessárias e inerentes a qualquer governo honesto, que governa para a massa.
A mesma que assistiu, o Ministério de Minas e Energia ser ofertada, para uma pessoa sem conhecimento técnico algum, e que nada entende sobre um assunto primordial, para o desenvolvimento e progresso do país. País da massa.

A mesma que presenciou, o pior acidente aéreo da história do país. Mais de 170 famílias choram ainda hoje, pela inépcia e incopetência do setor aéreo. De quem é a culpa? Anac? Infraero? TAM? Congonhas? Pro presidente isso parece não importar, pois a Agência Nacional de Assassinos Civis, agora é presidida por Milton Zuanazzi à convite do próprio presidente, a experiência dele na área? Não se sabe. Afinal, ele era Secretário Nacional de Políticas de Turismo. Cargo excepcional de notoriedade ímpar. Assim como a massa, que tem um governo customizado e exclusivo.

A máfia das ambulâncias; o Mensalão; o escândalo do Bingo e dos Correios e a CPI do Banestado, atestam soberanamente, a excelência governamental que vivemos atualmente.
O asco se faz presente, em todos as notícias referentes à política brasileira. Independentemente da classe social, da "massa" à "elite", o repúdio é constante.
O governo tem de ser para todos, não há distinção na forma de presidir uma empresa, muito menos uma nação.
O filho do sindicalista que se tornou presidente da república, tem graduação no exterior. Então o porquê dessa demagogia exacerbada em palanques políticos, dizendo ser filho de pais analfabetos, e colocar um bonézinho do MST?

A resposta está à mostra para todos nós.

Se, hipoteticamente, o poder judiciário fosse competente, se a lei fosse aplicada à todos os cidadãos brasileiros, e o presidente fosse para um julgamento, sem foro privilegiado é claro. Qual seria a possibilidade de condenação? O destino?

100%. Presidente Bernardes, presídio de segurança máxima.

O cartão de todos

No país das CPIs caídas no esquecimento e sem resultado, onde o povo, ao invés de clamar por honestidade e transparência pede futebol, carnaval e rebolado, dinheiro não falta – para o governo e seus aliados, pelo menos. A nação brasileira, rica em tantos aspectos, se empobrece a cada dia, e se acomoda ao mesmo passo.

Nos 46 dias desde o começo do ano, mais de 128 bilhões de reais foram arrecadados pelo governo. Boa parte, sem dúvida, vai para auxiliar no pagamento dos cartões corporativos - que até tesoureiros do PT carregam - em diferentes restaurantes, hotéis, lojas de presentes, bares, locadoras de veículos, não contando os saques em dinheiro com destino tão obscuro e difícil de traçar quanto é complicado entender as diversas atitudes arbitrárias, contraditórias e moralmente promíscuas do governo e dos próprios brasileiros.

O dinheiro vai, também, para pagar os salários dos parlamentares e custear cada CPI - palanque para senadores e deputados e teatro do governo.

O cartão corporativo não é só da ministra, do segurança, do tesoureiro ou do presidente. É seu, meu e de todo brasileiro que contribui moral e financeiramente para a manutenção do cargo dos que o usam tão destemidamente.






A QUEDA



VALE A PENA ASSISTIR

Feb 14, 2008

A matemática do governo

Foram detectadas pelo TCU 27 notas fiscais frias no aluguel de veículos para o Planalto, em uma viagem do Presidente Lula em 2003 em Ponta Porá, MS.

O Planalto liberou 206 mil reais para o pagamento dos aluguéis, entretanto o dono da empresa reconhece apenas 40 mil reais em serviços prestados. Não existe Autorização para Impressão de Documento Fiscal, e o endereço das notas é fictício.




Em defesa do cartão e seu sigilo quando se diz respeito a gastos da presidência, o presidente disse que não se pode “dizer onde é a casa dos seguranças do presidente, você não pode dizer onde que ele vai alugar um carro. Porque, se você disser, fica muito fácil, quem quiser fazer a desgraça faz a desgraça por antecipação." "Não é a Presidência que gasta. Quando eu sair daqui, a Presidência continua. A Presidência é uma instituição que as pessoas precisam aprender a respeitá-la, e não banalizá-la”.

O país também é uma instituição que jamais pode ser banalizada. O exemplo vem de cima, ou ao menos deveria.

Uma coisa é defender sigilo e não divulgar informações que dizem respeito à segurança, outra bem diferente é divulgar números irreais e mentirosos.

O TCU suspeita também de superfaturamento e pagamento de diárias a mais com os cartões em viagem a Ribeirão Preto e Sertãozinho, em maio de 2003.

Feb 12, 2008

Omissão irresponsável

“[...] maneira de permitir que áreas já desmatadas tenham seu uso econômico intensificado, reduzindo a pressão por novos desmatamentos.”


A pressão por novos desmatamentos existirá sempre, com ou sem aval do governo. O necessário é existir punição severa para quem desmata. Que lógica é essa que o governo usa ao tentar vender a idéia de que quem desmata, recebendo mais por isso irá parar por aí? Essa proposta basicamente diz que quem desmatar estará livre para lucrar, tendo garantido [pelo próprio governo] que futuros desmatamentos serão recompensados e incentivados.

O governo já recompensa quem não estuda, ignora quem invade e agora quer avalizar quem desmata? Como é que o povo brasileiro deixa isso acontecer? Onde está a vergonha, a indignação, a revolta e repulsa?

Como que um governo [em teoria] sério, digno e sensato pode, sem a menor vergonha propor que se deixe desmatar, se ganhe para isso e se lucre com esse desmatamento sem sequer falar em punição ou efeito que a decisão pode ter em longo prazo? Quer dizer então que contanto que se cultive o dendê tudo estará salvo? É essa a solução?

Desmentido o apoio do governo, a medida continua em tramitação no Congresso.

Feb 11, 2008

Feb 10, 2008

"Algo de podre..."

Uma das maiores conquistas do Governo é sua competência em encobrir e desviar atenções de fatos que, a princípio, parecem não ter solução. A cada novo escândalo, a capacidade de administração surpreende, ao mesmo tempo que enoja. O mais novo embate entre Governo e oposição vem sendo o escândalo dos cartões coorporativos. Escândalo esse que, como tantos outros, até começar a subir a rampa do Planalto tinha completo e total desprezo por parte do Governo. Após a denúncia de que o segurança da filha do presidente havia gasto algo em torno de R$55.000,00, a base aliada imediatamente começou a demonstrar um maior e mais afoito interesse.

Confesso que, de início, me perguntei o motivo de tanta pressa para implementar a CPI. Pensei, em um exemplo imenso de ignorância e ingenuidade, que poderia estar exagerando ao desconfiar de (talvez até procurando) segundas, terceiras, enfim, infinitas intenções que inevitavelmente seguem as ações dessa administração. Pois bem. Certo dia vi uma matéria que esclareceu tudo.

O partido que conseguir a implementação da CPI, escolhe seu relator.

A pressa de nada importa. A relatoria, junto com a investigação datando desde 1998, já mostram o segundo e terceiro ato dessa peça. Ora, com a relatoria garantida, jamais o presidente sentirá uma brisa sequer de sua sala. E com a investigação começando em '98, haverá material suficiente para o governo fazer o velho jogo do 'Eu sou ruim, mas o anterior era pior', o qual todos nós já estamos acostumados.

A estratégia é aparente, o resultado previsível, e a omissão do povo desconcertante.

Feb 7, 2008

Molho Extra





Resta saber se essa se tornará mais uma peculiaridade que a população aceita como traço de personalidade do brasileiro, e de forma incrivelmente ligeira ampara sem incômodo algum, tal qual o mensalão, caixa dois, caso Renan Calheiros, Sanguessugas e tantas outras particularidades do governo que o povo teima em aceitar e pedir bis.


Ora, levando em consideração que, nos mais de dois meses no ar o site angariou míseras 188 mil assinaturas, penso inevitável mais essa pizza.

Hipocrisia


Em Novembro de 2007, New Jersey aboliu a pena de morte. Milhares de pessoas festejaram (com mérito) essa vitória, porém o que não se diz é a verdadeira razão pela qual se chegou a tal decisão. Não foi por uma repentina noção de civilidade, nem por um apreço aos direitos humanos, nem mesmo pelo fato já provado de que a pena de morte não é um fator que diminui a criminalidade. A razão foi uma só: monetária. Viu-se que ao invés dos $72,602 dólares anuais gastos com o corredor da morte, seria possível gastar os habituais $40,121 com encarceramento comum. De nobre a decisão não tem nada. Mas a moral do governo melhora, juntamente com os cofres públicos, e, por fim, uma vida é salva e problemas maiores evitados.


Pois bem, o tabaco é semelhante. A condenação e preconceito dirigidos aqueles que fumam, aos que fabricam e aos que lucram com isso fica nisso - pura propaganda moralista. A maneira mais efetiva de se acabar com o consumo do cigarro é aumentar impostos de tal maneira a tornar inviável a fabricação e distribuição dos mesmos. Os já viciados que se virem. Mas por quê isso não é feito? Verdinhas. Ou Rainhas, na atual conjuntura. É monetariamente confortável e preferível ter milhões de pessoas comprando cigarros todos os dias, e vamos e venhamos, a publicidade vinda das campanhas anti tabagismo não piora tanto as coisas.


Sim, existe o preconceito da sociedade moralista e não fumante, preconceito esse que se entende, porém preconceito mesmo assim. E existem pessoas que genuinamente querem parar e não conseguem. Existem os que param com sucesso. Os que nunca tocam em um cigarro, e até aqueles que fumam uma vez e acham nojento e nunca mais se incomodam com isso, porém tudo é, além de relativo, irrelevante, pois a verdade é: o ser humano é hipócrita. E estando bem para o bolso, a maioria está de acordo.