Feb 10, 2008

"Algo de podre..."

Uma das maiores conquistas do Governo é sua competência em encobrir e desviar atenções de fatos que, a princípio, parecem não ter solução. A cada novo escândalo, a capacidade de administração surpreende, ao mesmo tempo que enoja. O mais novo embate entre Governo e oposição vem sendo o escândalo dos cartões coorporativos. Escândalo esse que, como tantos outros, até começar a subir a rampa do Planalto tinha completo e total desprezo por parte do Governo. Após a denúncia de que o segurança da filha do presidente havia gasto algo em torno de R$55.000,00, a base aliada imediatamente começou a demonstrar um maior e mais afoito interesse.

Confesso que, de início, me perguntei o motivo de tanta pressa para implementar a CPI. Pensei, em um exemplo imenso de ignorância e ingenuidade, que poderia estar exagerando ao desconfiar de (talvez até procurando) segundas, terceiras, enfim, infinitas intenções que inevitavelmente seguem as ações dessa administração. Pois bem. Certo dia vi uma matéria que esclareceu tudo.

O partido que conseguir a implementação da CPI, escolhe seu relator.

A pressa de nada importa. A relatoria, junto com a investigação datando desde 1998, já mostram o segundo e terceiro ato dessa peça. Ora, com a relatoria garantida, jamais o presidente sentirá uma brisa sequer de sua sala. E com a investigação começando em '98, haverá material suficiente para o governo fazer o velho jogo do 'Eu sou ruim, mas o anterior era pior', o qual todos nós já estamos acostumados.

A estratégia é aparente, o resultado previsível, e a omissão do povo desconcertante.