Feb 15, 2008

O cartão de todos

No país das CPIs caídas no esquecimento e sem resultado, onde o povo, ao invés de clamar por honestidade e transparência pede futebol, carnaval e rebolado, dinheiro não falta – para o governo e seus aliados, pelo menos. A nação brasileira, rica em tantos aspectos, se empobrece a cada dia, e se acomoda ao mesmo passo.

Nos 46 dias desde o começo do ano, mais de 128 bilhões de reais foram arrecadados pelo governo. Boa parte, sem dúvida, vai para auxiliar no pagamento dos cartões corporativos - que até tesoureiros do PT carregam - em diferentes restaurantes, hotéis, lojas de presentes, bares, locadoras de veículos, não contando os saques em dinheiro com destino tão obscuro e difícil de traçar quanto é complicado entender as diversas atitudes arbitrárias, contraditórias e moralmente promíscuas do governo e dos próprios brasileiros.

O dinheiro vai, também, para pagar os salários dos parlamentares e custear cada CPI - palanque para senadores e deputados e teatro do governo.

O cartão corporativo não é só da ministra, do segurança, do tesoureiro ou do presidente. É seu, meu e de todo brasileiro que contribui moral e financeiramente para a manutenção do cargo dos que o usam tão destemidamente.